• Por Stephanie Sonsin

Punição é eficaz? Punir é o mesmo que educar?



Durante muito tempo, e não tão distante, as crianças eram severamente punidas por qualquer comportamento de desobediência de seus pais. A violência era muita! Aos poucos as coisas foram sendo modificadas, mas infelizmente ainda hoje ocorrem muitos episódios de violência contra a criança, onde há uma confusão muito grande entre punição e consequência.


Ouvimos crianças e adolescentes dizendo: "se eu não fizer isso ou aquilo, minha mãe vai me matar" e tratamos isso como se fosse a coisa mais normal do mundo. Contudo, é uma frase muito forte e mostra que muitos filhos são educados pelo domínio do medo e não da verdadeira disciplina que leva auto-regras.


Muitas vezes os pais não conseguem se livrar do modelo de "punir" ou impor respeito através do medo e não conhecem outra alternativa. A maioria dos pais já ameaçou os filhos em algum momento ou situação, e não estou falando de bater. Não basta não bater, precisa ter comportamento de "educar". E é sobre isso que falaremos nos próximos tópicos.


Palmada e outras polêmicas na educação dos filhos


As palmadas são polêmicas. Elas se tornaram comuns e alguns pais falam: "eu também levei uns tapas e estou aqui vivo e bem". No século XXI pesquisas mostram que existem diversas alternativas para controlar um comportamento inadequado no lugar de punições corporais, como as famosas palmadas.

Na psicologia, a punição não é eficiente como método de educar ou para eliminar comportamento indesejado. No início a criança para de se comportar daquela forma, mas depois volta a repetir as mesmas ações. Com o tempo, a punição deixa de ter até mesmo este efeito.


A criança tende a se acostumar com a punição e, se as consequências naturais do comportamento punido forem muito agradáveis ou recompensadoras, os efeitos temporários da punição são ainda menores. Isso significa que a criança vai se esforçar para arranjar meios de se comportar daquela forma, de modo que consiga evitar ser pega "em flagrante".


A falta de punição pode deixar os filhos sem educação?


Muitos pais não estão sendo "moles" ou criando filhos "sem educação". Ou seja, não estão sendo permissivos, mas sim negligentes por não impor limites, não demonstrar afeto e não prestar os cuidados adequados. E isso não tem nada a ver com a falta de punição.


Alguns ainda batem quando os filhos ultrapassam limites que os próprios pais não deixaram claros. É difícil que a criança entenda um limite, se isso não ficou claro para ela.


Educar toma tempo e requer treinamento e prática. São os pais que ensinam limites, disciplina e a ordem do mundo. E isso tudo pode ser ensinado sem machucar a criança, seja fisicamente ou psicologicamente.


Aí você diz: "eu não bato". Mas você humilha seu filho? Acha que ele é responsável sozinho pelos próprios erros? Bater, machucar (físico ou o psicológico), humilhar, ameaçar ou espancar não são métodos educativos.


O que a punição causa na criança?


Se você bate em seu filho, qual a primeira coisa que está ensinando? Que a violência é capaz de resolver problemas, que bater é uma forma correta de agir e de expressar a sua raiva.


As pessoas dizem que "um tapinha não faz mal" e que é bem diferente do espancamento ou mesmo de uma surra. No entanto, a palmada e o espancamento tem o mesmo princípio: usar a força e o poder para intimidar e punir uma pessoa. Punição corporal é ineficaz a longo prazo e gera danos emocionais.


A punição corporal funciona?


Quando os pais veem seu filho fazendo algo considerado errado ou desagradável sentem raiva. E quando batem na criança vem a sensação de alívio. Parece que ao punir os pais se livram de toda aquela raiva.


Você já viu alguém dando um tapa "pedagógico"? "Meu filho, (calmamente falando) você fez algo muito inadequado e eu vou punir com um tapa em seu bumbum para você aprender que isso é errado". Já viu alguém fala assim? É óbvio que não. A punição corporal é sempre movida pela raiva. Geralmente os pais estão descontrolados, com muita raiva e a agressão passa a ser um ato de vingança e não um ato educativo.

Eis a questão: o objetivo realmente é educar a criança ou diminuir sua raiva?


Depois da punição, muitas vezes os pais percebem que não deveriam ter batido ou gritado com a criança e sentem culpa. Nesse momento apresentam uma série de atitudes que são inadequadas. Como: compensar a criança deixando que ela faça coisas que os pais não gostam ou não permitem.


E isso causa confusão para a criança. Afinal, "o que é certo e o que é errado?" "Como devo agir?"


Com isso a criança aprende que os pais fazem promessas que não cumprem ou que voltam atrás em suas decisões depois dele insistir muito ou se chorar muito.


Agora que você já sabe de tudo isso, acha ainda que punição é o mesmo que educar uma criança?


Conte nos comentários. E veja também a continuação desse assunto em outros artigos aqui no blog.


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